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Brasil registra recorde histórico de feminicídios: 4 mulheres mortas por dia em 2025

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Em 2025, o Brasil registrou um novo recorde de feminicídios, com quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Esse número representa um aumento de 1,4% em relação a 2024 e marca a terceira vez consecutiva que o país atinge uma taxa de 4 mulheres mortas por dia. A estatística, divulgada pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), destaca uma tendência preocupante na violência contra a mulher.

Segundo o relatório do Instituto de Pesquisas da Executiva (Ipea), o aumento está relacionado à mudança na classificação legal do feminicídio. Desde 2015, quando o crime foi tipificado como autônomo com penas de 20 a 40 anos, há um aumento significativo nos registros. Antes dessa data, os casos eram classificados como homicídios simples, sem ênfase na condição de gênero. Essa mudança legal permite que mais casos sejam identificados e registrados, o que pode explicar parte da crescente estatística.

O estado de São Paulo liderou com 233 feminicídios, seguido por Minas Gerais com 139. Os meses de abril, outubro e novembro registraram picos elevados, com 154, 151 e 149 casos, respectivamente. A maioria das vítimas ocorre em áreas urbanas e em contextos de violência doméstica e familiar. De acordo com o governo, o número final do ano pode ser ainda maior, já que quatro estados não enviaram os dados referentes a dezembro.

Analistas destacam que a estatística reflete uma transformação na forma como os crimes são registrados e categorizados. Desde 2015, quando o feminicídio passou a ser um crime autônomo, o número de casos registrados aumentou significativamente. Em 2024, o Brasil já tinha registrado 1.464 feminicídios, superando o recorde anterior de 1.433 em 2023. Essa tendência de crescimento é observada em todos os estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Embora a taxa nacional de 0,69 morte por 100 mil habitantes seja a mesma registrada em 2022, 2023 e 2024, a análise do fenômeno indica que o aumento está ligado à maior atenção e à mudança na tipificação legal. Os dados do Ipea indicam que, no período de 2013 a 2023, houve uma redução na taxa de feminicídios, mas desde 2015, com a nova classificação, os números começaram a crescer novamente.

Os representantes da ONU destacam a importância de políticas públicas eficazes para combater a violência contra a mulher. Ainda que a estatística esteja em crescimento, a falta de ação decisiva e a persistência de desigualdades sociais e econômicas permanecem obstáculos significativos para reduzir esses números. A organização internacional enfatiza a necessidade de investimento em programas de prevenção e combate à violência doméstica.

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