A vacinação contra a dengue com a primeira vacina do mundo em dose única, a Butantan-DV, iniciou oficialmente em Botucatu (SP) neste domingo (18) com uma estratégia inovadora de imunização acelerada. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, essa vacina tetravalente protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e representa um marco na saúde pública brasileira.
Segundo informações do Ministério da Saúde, a cidade de Botucatu, juntamente com Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), foi escolhida como uma das três cidades piloto para avaliar o impacto da vacina na população. O objetivo é imunizar até 50% da população entre 15 e 59 anos em cada município, com foco em uma rede de saúde robusta e população entre 100 mil e 200 mil habitantes. O teste inclui uma parte do lote de 1,3 milhão de doses já entregue pelo Butantan, que deve ser ampliado para 1,1 milhão de doses adicionais para a imunização de profissionais de saúde em fevereiro.
O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Eleuses Paiva, destacou que a vacinação busca criar "imunidade de rebanho" para reduzir a circulação do vírus. "Com a Butantan-DV, São Paulo entrega ao Brasil uma vacina 100% nacional, em dose única, que facilita a adesão e amplia a proteção", explicou, referindo-se à eficácia global de 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue, segundo dados dos estudos clínicos.
Os resultados da avaliação serão analisados ao longo de um ano, com acompanhamento de especialistas para monitorar eventos adversos raros após a imunização. A estratégia segue metodologia similar àquela utilizada para avaliar a efetividade da vacina contra a COVID-19, garantindo transparência e rigor científico. Os pontos de vacinação estão localizados em todas as unidades de saúde do município, com horário de funcionamento das 8h às 17h.
Apesar da eficácia prometida, a vacinação deixa algumas perguntas. A eficácia de 74% citada para a Butantan-DV é relativa a redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização, mas não abrange todos os riscos associados à dengue. Além disso, a vacinação em massa ainda enfrenta desafios de acessibilidade e a necessidade de monitoramento contínuo para evitar eventos adversos raros.
O governo federal, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, está avaliando a viabilidade de expandir a vacinação para todo o país. A produção de mais doses da Butantan-DV deve ser concluída até 31 de janeiro, com objetivo de imunizar cerca de 1,1 milhão de profissionais de saúde que atuam nas unidades básicas de saúde (SUS) a partir de 9 de fevereiro.
Esse projeto representa um passo importante para combater a dengue, uma doença que afeta milhões de brasileiros, principalmente em regiões com alta incidência de Aedes aegypti. A imunização acelerada é uma estratégia inovadora que busca reduzir a carga de doenças e promover a saúde pública de forma eficiente.