Desaceleração Econômica Lenta: O Que Esperar do Banco Central?

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizou que a economia brasileira está passando por um processo de desaceleração, mas de forma “lenta e gradual”. Essa declaração, feita em um evento em São Paulo, indica que o BC manterá a taxa de juros no nível necessário pelo tempo que for preciso para garantir que as expectativas do mercado se alinhem à meta de inflação de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Desaceleração Gradual e Inflação Persistente

Galípolo destacou que, embora o BC deseje uma convergência mais rápida da inflação, o ritmo atual evita uma desaceleração abrupta da economia. A trajetória da inflação, segundo ele, está seguindo um “plano de voo” imaginado pelo Banco Central.

Inflação de Serviços e Pressões na Demanda

O presidente do BC também chamou a atenção para a inflação de serviços, que permanece acima da meta. Ele mencionou que, considerando o nível de emprego atual, seria esperado que os preços do setor estivessem ainda mais pressionados. Além disso, medidas consideradas neutras do ponto de vista orçamentário podem estar, inadvertidamente, estimulando a demanda e gerando pressão inflacionária.

  • Impacto das Tarifas Americanas: O BC está atento aos possíveis efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, avaliando se o impacto será temporário ou mais disseminado nos preços.
  • Avanço da Inteligência Artificial: Outro tema no radar é o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho e no comportamento dos preços.

O Que Esperar do Futuro?

Enquanto isso, o mercado aguarda as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. A expectativa é de um possível corte de 0,25 ponto percentual em dezembro. Se o Fed realmente aliviar a mão e o BC brasileiro iniciar um ciclo de queda da Selic em janeiro, o cenário pode ser favorável para a B3 e para os ativos de risco locais. No entanto, a instabilidade fiscal em Brasília pode atrapalhar esse cenário positivo.

A chave para o futuro da economia brasileira reside na capacidade do Banco Central de equilibrar a inflação com o crescimento econômico, navegando em um cenário global incerto e complexo.

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