As ações da Braskem (BRKM5) registraram uma das maiores baixas do Ibovespa na segunda-feira (2), com queda de 3,55% e fechamento a R$ 9,25. Os investidores estão analisando o relatório operacional da petroquímica publicado na sexta-feira, que revelou recuo nas vendas de resinas e principais químicos. O relatório indica que as vendas de resinas recuaram 8% no período anual, atingindo 743 mil toneladas, enquanto os principais químicos apresentaram redução de 13%, para 595 mil toneladas. Essa tendência é acompanhada por queda de 3% nos spreads – a diferença entre o preço de venda do produto final e o custo da matéria-prima – para os principais químicos e uma redução de 15% para as resinas.
O JPMorgan classificou o relatório operacional com uma classificação negativa, destacando que os resultados fracos sugerem possíveis dificuldades na capacidade da empresa de sustentar os preços dos produtos finais. Analistas do Banco do Brasil também alertaram sobre uma possível excesso de oferta no mercado, especialmente em relação à oferta de resinas, o que pode pressionar os preços e reduzir a margem de lucro da empresa. Essa situação é crítica para uma empresa que depende fortemente da demanda por materiais químicos em escala global.
Os principais analistas do mercado observam que a queda na produção de resinas e principais químicos está vinculada a uma redução na demanda por produtos derivados de petróleo, um fator que influencia diretamente na capacidade da Braskem de manter a margem de lucro. Além disso, a queda nos spreads indica que o custo das matérias-primas está se tornando mais elevado em relação ao preço de venda, o que pode levar a uma pressão significativa sobre a rentabilidade da empresa.
Segundo informações do Banco Industrial e Comercial (BIC), a Braskem enfrenta um desafio crescente para manter a demanda por resinas e principais químicos, já que muitos clientes estão migrando para alternativas mais baratas. Isso cria uma situação de competitividade intensa, onde a capacidade da empresa de ajustar suas operações e oferecer produtos mais competitivos é fundamental para evitar uma queda acentuada na receita e no lucro. A análise do JPMorgan também aponta que a empresa precisa de estratégias mais assertivas para lidar com a pressão de oferta e demanda no mercado global.